
Antes de mais nada eu queria me desculpar pela minha ausência aqui no blog, esse longo inverno que se desenhou com a doença terminal do site No Mínimo, que vi e fiz nascer, até sua definitiva subida no telhado. É um sentimento esquisito não mais ver a criança correndo serelepe internets afora… mas agora que a página está virada começo a assimilar o golpe e repensar as metas. Foi no meio dessa reflexão que tive o prazer de saber que a exposição que estreara em São Paulo durante o mês de março viria agora me fazer visita em casa, no meu quintal, em frente à praia do bairro que me viu e vê crescer. Por mais que os méritos de abrir o espaço editorial sejam da megalópole paulistana, é daqui do Rio de Janeiro que saem os desenhos meus e do Loredano que povoam as páginas 2 de cada edição d´O Estado de São Paulo. Não vejo isso de forma alguma como uma afronta carioca, nem mesmo como provocação: nos tempos de hoje, acho fantástico que a tecnologia tenha reduzido as distâncias e se possa saber o que ocorre no mundo horas e horas antes de ligar a televisão às oito; acho maravilhoso que eu tenha encontrado minha esposa no horário de almoço de um banco na China; e, assim, acho também louvável que eu possa colaborar da minha casa com o maior jornal da América Latina. Tudo isso faz sentido na minha cabeça, e é por isso que estou muito feliz com a vinda dessa seleção de desenhos pra Casa de Cultura Laura Alvim: foi lá que eu participei pela primeira vez de um Salão de Humor (o Salão Carioca de Humor), ainda moleque; é lá que continua sendo o único Salão de Humor de que participo. Quero, então, convidar a todos pra visitar a exposição Sinais Particulares a partir de 1º de agosto, no meu quintal. É isso.
Por último, queria agradecer às mensagens de todos que têm pintado por aqui e visto a coisa meio abandonada. Como já expliquei, estive precisando de um tempo pra organizar as idéias na cachola, mas agora acho que já dá pra botar a preguiça de lado e retomar algumas coisas que andavam meio largadas.
Romarista convicto que sou - como se não bastasse ser vascaíno! - tinha esse desenho nervoso pra sair da gaveta há alguns meses, e agora que ele cumpriu sua missão na página 2 do Estadão (21/05/2007) posso finalmente dividir com vocês!
Que alegria ver um craque como ele atingir uma meta dessas e que alegria eu e meus queridos colegas poderem descansar de tanto desenhar Romários nesses últimos meses! Aleluia!
E aí, veio outra encomenda - dessa vez pro website No Mínimo - de uma caricatura do grande compositor Cartola, símbolo mangueirense. Eu poderia - e até gostaria - de fazer um novo desenho, mas o dia estava conturbado e resolvi dar uma revisitada num desenho que saiu há uns dez anos na capa da Veja Rio: digitalizei o traço original, pintei no computador. Engraçado ver a linha do tempo através das soluções utilizadas: o original tinha sido colorido à lápis de cor, e eu, que nem tinha computador, levei o desenho pessoalmente à redação!
Quando o Estadão me sugeriu um desenho do Edmundo com o Rogério Ceni por ocasião do recente confronto entre o Palmeiras e o São Paulo, eu balancei: eu tinha um desenho inédito do Edmundo na gaveta que é um dos meus (muitos) xodós. O problema é que esse desenho, feito sem encomenda nos primórdios da minha vida profissional, trazia o Animal envergando a casaca cruzmaltina, e agora o homem anda desequilibrando os jogos pelo verdão do Parque Antártica… mas como eu queria muito ver essa caricatura publicada, resolvi mexer no desenho e adaptá-lo à atualidade. Ele saiu, junto com o goleiro que o parou no tal jogo, do jeito que está aí em cima, mas aqui no blog, como o editor sou eu, resolvi mostrar abaixo também o desenho original - e melhor, por ter sido planejado daquela forma. Espero que gostem.

O peixe tá embalado. Entrou num ciclo vicioso e desandou a fazer gols como nos velhos tempos. Agora, a 1 golzinho do seu sonhado gol 1000 (segundo suas contas, que eu prefiro respeitar), não adianta ficarem chiando que ele tá velho, que isso e aquilo. Sim, ele não é mais um garoto e, obviamente, já está além do tempo regulamentar na vida de jogador de futebol profissional - mas mesmo nessa idade, continua fazendo mais e melhores gols do que a molecada. O time joga pra ele? Sim, claro. Mas se atinge esse tipo de privilégio, certamente não é porque foi um jogador apenas mediano durante toda a sua carreira. Eu sempre fui defensor inabalável do seu futebol e de suas atitudes, e me considero honrado de ter visto tantas vezes em campo tremendos desfiles de habilidade com que ele nos brindou. Eu, que não tive chance de ver Pelé e Garrincha jogarem ao vivo - daí pouco possa julgá-los - considero que, embora menos completo do que Zico e Maradona, Romário é tão habilidoso quanto esses dois e tão eficiente em sua posição quanto o argentino, estando os dois acima de Zico. Que venham os ovos! - mas é o que eu acho.
Daqueles desenhos que faço com o maior prazer. Adoro desenhar músicos tanto quanto jogadores de futebol, são meus assuntos prediletos!
Nada especialmente criativo, mas foi legal poder me vingar do fato do show ter sido numa sexta-feira, dia em que 102% dos trabalhadores da imprensa não têm sequer resquício de vida social - o que me fez faltar a um dos shows que eu mais esperei nos últimos anos. Paciência.
Presidente do Zimbabwe.
Eu queriaagradecer a todos os amigos e inimigos que prestigiaram a abertura da exposição de Sinais Particulares em Sampa, assim como a todos que pintaram lá durante esses dias em que a mostra esteve aberta. Lembrando - para quem ainda não teve uma chance - que os desenhos estarão lá até o dia primeiro de abril (detalhes no post abaixo).
Estive ausente aqui do blog por um período mais longo do que eu gostaria simplesmente por que estava tentando processar umas fotos da exposição pra mostrar aqui, mas a minha folclórica falta de tempo venceu e vou continuar devendo. Pra ninguém ficar pensando que esse é um blog fantasma, volto à ativa com alguma produção recente.
A página 2 do Estadão ficou pequena. Loredano e eu nos revezamos naquela honrosa trincheira da caricatura para imprensa há quase ano e meio, demos muitas dentro e outras tantas fora (ninguém reparou? Jóia!) mas a verdade é que, mesmo na correria de tentar elaborar diariamente um trabalho de qualidade sob a pressão esmagadora do relógio (a sexta-feira se tornou uma vaga lembrança de infância pra mim), de vez em quando surgem desenhos dignos de atenção e é acreditando nisso que o Flávio Pinheiro, arquiteto da coluna, veio com a idéia de transformar Sinais Particulares em uma exposição. O resultado da peneiragem você poderá visitar de terça a domingo das 11h00 às 20h00 entre os dias primeiro de março e primeiro de abril (nos garantiram que era verdade), no Instituto Tomie Ohtake que fica na Avenida Faria Lima 201 (entrada pela Rua Coropés), São Paulo. A entrada é gratuita.